Conclusões.

O uso de várias drogas é muitas vezes essencial para que se obtenha o resultado terapêutico desejado ou para o tratamento de doenças coexistentes.

Vários exemplos são encontrados na prática clínica, onde se faz necessário a prescrição de dois ou mais fármacos, como no tratamento da hipertensão e da insuficiência cardíaca, na quimioterapia antineoplásica e no tratamento de certos moléstias infecciosas. Quando os profissionais de saúde utilizam vários fármacos ao mesmo tempo, eles enfrentam o problema de saberem se uma associação específica em dado paciente possui o potencial de provocar uma interação e, neste caso, como tirar proveito dela se ela conduzir a um aumento de eficácia, ou como evitar as conseqüências de uma interação caso sejam adversas.

A interação potencial de drogas é a expressão que se refere às possibilidades de que uma droga possa alterar os efeitos farmacológicos de outra droga administrada concomitantemente. O resultado final pode ser a intensificação, inclusive com o aparecimento de efeitos tóxicos, ou a diminuição dos efeitos de uma ou de duas drogas. Ou ainda o aparecimento de novo efeito que não é observado com nenhum dos dois fármacos usados isoladamente.

As interações medicamentosas mais importantes ocorrem com aqueles fármacos apresentam toxicidade facilmente reconhecível e baixa índice terapêutico, de tal modo que mudanças relativamente pequenas no efeito da droga podem ter conseqüências adversas significantes. Ainda mais, as interações entre drogas podem ser importantes se a doença que está sendo controlado com a droga é grave ou potencialmente fatal quando não tratada e se os objetivos finais terapêuticos estão claramente definidos.

A freqüência das interações medicamentosas clinicamente importantes não é bem estabelecida. A incidência de interações indesejadas aumenta proporcionalmente ao número de fármacos administrados tanto por automedicação quanto por prescrição médica. Embora, relativamente pouco freqüentes, há reações adversas sérias ou letais cansadas por interações entre fármacos com potencial de risco maior, como anticoagulantes, glicosídeos cardíacos, antiarrítmicos, hipoglicemiantes, lítio, antineoplásicos e agentes nefrotóxicos. Interações que determinam perda de eficácia se dão, por exemplo, entre corticosteróides, anticonvulsivantes, contraceptivos orais, cimetidina, teofilina e alguns antibióticos.

As interações, especialmente as que resultam em efeitos adversos, têm sido descritas em estudos com modelos animais, in vitro e em relatos de casos, o que pode superestimar sua prevalência, não definindo a relevância clínica. Sua observação em ensaios controlados é, provavelmente, a forma mais adequada de detectar e quantificar as interações clinicamente importantes. O reconhecimento dos efeitos benéficos e a identificação e prevenção das interações adversas entre drogas exigem um conhecimento minucioso dos fármacos prescritos, incluindo a suas propriedades químicas, farmacodinâmicas e farmacocinéticas. O acesso a fontes de informação segura, objetiva e bem organizada é importante e pode reduzir a necessidade do profissional de memorizar as interações potenciais, porém o conhecimento dos mecanismos prováveis das interações medicamentosas é essencial para o planejamento de um regime terapêutico seguro e eficaz.

As interações envolvendo mecanismos farmacocinéticos são as mais freqüentes e promovem, muitas vezes, influência significativa sobre a terapêutica. As interações que envolvem a absorção, a distribuição, a biotransformação e a depuração renal recebem muita atenção e muitos exemplos são encontrados na literatura.

Existem algumas estratégias que podem ser adotadas para diminuir o risco de potenciais problemas resultantes das interações medicamentosas. O número de drogas prescritas para cada paciente deve ser limitado ao mínimo necessário. O uso de drogas deve ser revisado regularmente e os agentes desnecessários devem ser suspensos, com subseqüente monitoração. Os pacientes devem ser incentivados a relatarem ao médico, farmacêutico e outros profissionais de saúde envolvidos, sintomas que ocorrem quando novas drogas são introduzidas.